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    Ficheiro Maio 2008

    Carlos drumond de andrade

    by bugus (25/05/2008 - 17:26)




    Carlos Drummond de Andrade

                                                      
    Carlos Drummond de Andrade

               A moça mostrava a coxa,
              a moça mostrava a nádega,
              só não mostrava aquilo
            – concha, berilo, esmeralda –
           que se entreabre, quatrifólio,
         e encerrra o gozo mais lauto,
        aquela zona hiperbórea,
       misto de mel e de asfalto,
       porta hermética nos gonzos
       de zonzos sentidos presos,
       ara sem sangue de ofícios,
       a moça não me mostrava.
        E torturando-me, e virgem
       no desvairado recato
         que sucedia de chofre
         á visão dos seios claros,
            qua pulcra rosa preta
          como que se enovelava,
         crespa, intata, inacessível,
        abre-que-fecha-que-foge,
        e a fêmea, rindo, negava
        o que eu tanto lhe pedia,
        o que devia ser dado
        e mais que dado, comido.
        Ai, que a moça me matava
       tornando-me assim a vida
       esperança consumida
        no que, sombrio, faiscava.
        Roçava-lhe a perna. Os dedos
       descobriam-lhe segredos
       lentos, curvos, animais,
       porém o maximo arcano,
       o todo esquivo, noturno,
        a tríplice chave de urna,
        essa a louca sonegava,
        não me daria nem nada.
        Antes nunca me acenasse.
          Viver não tinha propósito,
        andar perdera o sentido,
         o tempo não desatava
        nem vinha a morte render-me
       ao luzir da estrela-dalva,
         que nessa hora já primeira,
        violento, subia o enjoo
        de fera presa no Zôo.
        Como lhe sabia a pele,
       em seu côncavo e convexo,
       em seu poro, em seu dourado
      pêlo de ventre! mas sexo
        era segredo de Estado.
       Como a carne lhe sabia
        a campo frio, orvalhado,
        onde uma cobra desperta
       vai traçando seu desenho
      num frêmito, lado a lado!
      Mas que perfume teria
      a gruta invisa? que visgo,
     que estreitura, que doçume,
     que linha prístina, pura,
       me chamava, me fugia?
       Tudo a bela me ofertava,
       e que eu beijasse ou mordesse,
       fizesse sangue: fazia.
        Mas seu púbis recusava.
      Na noite acesa, no dia,
      sua coxa se cerrava.
       Na praia, na ventania,
    quando mais eu insistia,
       sua coxa se apertava.
       Na mais erma hospedaria
      fechada por dentro a aldrava,
        sua coxa se selava,
      se encerrava, se salvava,
      e quem disse que eu podia
      fazer dela minha escrava?
       De tanto esperar, porfia
       sem vislumbre de vitória,
       já seu corpo se delia,
      já se empana sua glória,
      j á sou diverso daquele
       que por dentro se rasgava,
        e não sei agora ao certo
        se minha sede mais brava
       era nela que pousava.
         Outras fontes, outras fomes,
         outros flancos: vasto mundo,
         e o esquecimento no fundo.
         Talvez que a moça hoje em dia...
          Talvez. O certo é que nunca.
         E se tanto se furtara
        com tais fugas e arabescos
        e tão surda teimosia,
      por que hoje se abriria?
      Por que viria ofertar-me
     quando a noite já vai fria,
      sua nívea rosa preta
     nunca por mim visitada,
      inacessível naveta?
      Ou nem teria naveta...






                

    BONS AMIGOS Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar. Porque amigo não se cala, não question

    by bugus (25/05/2008 - 17:18)



        
        

                                                                         BONS AMIGOS

                                   Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.


                                       Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
                                Amigo a gente sente!

                                    Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
                                        Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
                             Amigo a gente entende!

                     Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
                       Porque amigo sofre e chora.
                   Amigo não tem hora pra consolar!

               Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
           Porque amigo é a direção.
           Amigo é a base quando falta o chão!

         Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
          Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
        Ter amigos é a melhor cumplicidade!

         Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
         Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

    Ficheiro Maio 2008